Roda de Conhecimento traz orientações aos gestores sobre as queimadas Quinta, 26 de novembro de 2020.

26112020 RodaDeConhecimentoComo os Municípios podem agir nas situações de queimadas? Com o objetivo de orientar os gestores municipais, a Confederação Nacional de Municípios (CNM) trouxe o tema para a Roda de Conhecimento desta quinta-feira, 26 de novembro. Na oportunidade foram apresentados dados, a situação vivida por diversos Municípios e o impacto das queimadas para as localidades.

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que o ano de 2020 foi de recorde de incêndios, quando foram registrados 206 mil focos em todo o país. Entre as regiões que mais sofreram estão o Pantanal, a Amazônia e o Cerrado. Somente no Pantanal, foram mais de quatro milhões de hectares de queimadas, o que corresponde a mais 25% do bioma.

Entre os principais problemas no Pantanal, destaca-se o risco de se perder o controle sobre os focos de incêndio, como reforça a analista técnica de meio ambiente da CNM, Sofia Zagallo. “Pode ocorrer o registro de fogo subterrâneo, ou seja, o subsolo pode estar queimando e a parte de cima ainda não. Quando isso acontece e se espalha, o fogo já está muito alastrado”, completa.

Além de devastar o bioma trazendo perdas significativas para a biodiversidade, como plantas e animais, as queimadas trazem riscos para a saúde. “Os impactos incluem poluição atmosférica, já que a fumaça se alastrou por outros Municípios. A fumaça poluente dos incêndios faz mal para saúde humana, trazendo maior incidência de doenças respiratórias e sobrecarga no sistema de saúde”, lembra Sofia, ressaltando que o sistema de saúde já enfrenta desafios com a pandemia do coronavírus (Covid-19).

Prejuízos e danos
Além do risco para a saúde da população, as queimadas trouxeram prejuízos para áreas como pecuária e agricultura. Levantamento da CNM aponta que foram decretadas mais de 800 situações de emergência por conta das queimadas e um prejuízo de mais de R$ 75 milhões para os Municípios afetados.

O analista técnico em Defesa Civil da CNM, Johnny Amorim, reforça os cuidados que os gestores municipais devem ter diante de uma situação de incêndio. “Se os incêndios saírem do controle, os gestores devem decretar situação de anormalidade. Caso o Município não tenha uma defesa civil local, basta acionar a defesa civil do Estado, que está de prontidão para lidar com este tipo de desastre”, diz Johnny.

Orientações da CNM
Durante a live, foram apresentadas as ações que os Municípios podem atuar seja na fiscalização ambiental ou com a promoção da educação ambiental. A CNM cita como exemplo:

- construção e manutenção de aceiros (faixa de terra livre de vegetação) em torno da mata, casa, cercas e postes, ao longo de estradas e rodovias. A largura da faixa deve ser de, no mínimo, três metros, devendo ser duplicada em determinados casos;
- campanhas educativas com a população para conscientizar sobre os riscos das queimadas, assim como desincentivar a realização de queimadas para limpeza de lavouras ou renovação de pastagem;
- orientar a população a não acender fogueiras na vegetação e próximo a áreas de áreas protegidas; não jogar pontas de cigarro no ambiente, em trilhas e na beira de estradas; não queimar lixo doméstico ou industrial próximo a áreas protegidas; não abandonar objetos de vidro nas proximidades de áreas produtivas e de proteção; não soltar balões;
- incentivar a população a denunciar quem faz queimadas.
A CNM ressalta que os Municípios enfrentam dificuldades técnicas e financeiras para lidar com as queimadas. Portanto é importante a integração das ações e articulação entre os entes federativos, com auxílio técnico e financeiro dos Estados e da União para os Municípios.

Confira como foi a Roda de Conhecimento:

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Por: Lívia Villela
Da Agência CNM de Notícias

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